23.10.06
Sujeira ou "sujeira"?
Pela primeira vez desde 2003, não teremos uma varrida na Série Mundial. O veterano Kenny Rogers liderou os Tigers na vitória por 3-1 no jogo 2, empatando a série em 1-1. Os coadjuvantes de Rogers foram Craig Monroe, que rebateu um
home run na primeira entrada, e Carlos Guillen, que ficou a um
home run de rebater o ciclo. Ah, sim, e a mancha de sujeira ou coisa parecida que havia em sua mão durante a primeira entrada.
Não se fala de outra coisa no jogo 2. Onde quer que se procure informações na internet ou na TV a cabo, só falam da mancha na mão esquerda de Rogers. Câmeras de TV captaram algo marrom com aparência de sujeira na base do polegar do arremessador durante a primeira entrada. Na segunda entrada, a mancha sumiu, mas Rogers continuou arremessando zeros, e não permitiu rebatida válida alguma até a oitva entrada ele tinha permitido uma simples na primeira.
Ele lavou a mão no primeiro intervalo entre entradas, a pedido do árbitro Alfonso Marquez. O supervisor de arbitragem Steve Palermo confirmou a história, destacando ainda que sujeira não é uma substância estranha; é parte do jogo. E como se sabia que era sujeira? "Foi observado como sendo sujeira", explicou Palermo. "Eles são profissionais altamente treinados, capazes de identificar sujeira, e esta não é a primeira vez que eles saem de casa."
O mais estranho do episódio é o fato de o técnico dos Cardinals, Tony La Russa, não ter criado um grande caso a respeito (imaginem se fosse contra um time comandado, por exemplo, por Leão). Ele sempre cria caso, por qualquer coisinha, mas, desta vez, não pareceu se importar muito. Como Rogers foi (muito) bem depois de lavar a mão, até poderia ser caso de deixar para lá. Mas a ESPN analisou o vídeo dos outros jogos de Rogers nestes playoffs, e
descobriu uma substância marrom similar na mão de Rogers nas vitórias dominadoras sobre Yankees e A's.
Só porque Rogers arremessou bem depois que sua mão foi limpa não significa que ele não tentou trapacear. Da mesma maneira que só o fato de sua mão estar com uma mancha marrom não significa que ele estava trapaceando. São apenas
indícios. Mas não duvide que, em 2036, vai haver algum torcedor dos Cardinals reclamando de uma teoria da conspiração na distante Série Mundial de 2006.
Pois bem, chega de Rogers (por ora). Vamos falar de outro arremessador do Detroit. Todd Jones entrou para fechar a partida e quase complicou a situação dos Tigers. O técnico Jim Leyland iria esperar até quand o para colocar Joel Zumaya em campo? Você sabe que é Zumaya, não sabe? Aquele dos arremessos a mais de 160 km/h, que eliminou 97 por
strike-out em 83 1/3 entradas, teve um ERA de 1,94 e não arremessa desde 10 de outubro. Sim, esse cara.
Jones foi vitimado por um erro com duas eliminações naquela quase desastrosa nona entrada. Um erro que ele mesmo cometeu, diga-se de passagem. Felizmente para ele, esse erro não deixou corridas, apenas corredores na primeira e terceira bases. Logo em seguida, ele permitiu uma rebatida dupla de Juan Encarnación, que diminuiu o placar para 3-1, e acertou Preston Wilson com um arremesso, antes de uma eliminação forçada com Yadier Molina, o herói da SCLN, no bastão.
E assim vamos a St. Louis para o jogo 3, amanhã: nenhum dos times está embalado, um arremessador que pode voltar a jogar nesta pós-temporada está sob suspeita e já não teremos uma varrida. Não dá para reclamar desta Série Mundial.
Marcadores: Cardinals, Kenny Rogers, Série Mundial, Tigers
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14.10.06
Mais um "jogo da vida"
Um arremessador que nunca ganhou jogo de playoffs de repente conseguir 15 entradas de pós-temporada sem sofrer corridas é tão provável quanto um time que perde 119 jogos em um ano chegar à Série Mundial apenas três anos depois. Pois são justamente essas duas coisas que estão acontecendo na Série de Campeonato da Liga Americana.
Kenny Rogers teve mais um jogo espetacular, permitindo apenas duas rebatidas válidas em suas 7 1/3 entradas, e foi decisivo para os seus Tigers abrirem 3-0 no jogo e na série, ficando a apenas uma vitória de alcançar a Série Mundial. De repente, nos seus últimos dois jogos, Rogers se tornou uma máquina de arremessar contra quem é praticamente impossível rebater. Esse deveria ser o mesmo Rogers que nunca tinha ganho um jogo em playoffs e permitira 20 corridas em 20 1/3 entradas.
Deveria, mas não é. O Rogers que vimos ontem e contra os Yankees na semana passada está jogando como se estivesse possuído. Contra os Yankees, pode-se dizer que ele tinha algo a provar a seu ex-time. Contra os A's, ontem, bem, pode-se dizer que ele ainda estava arremessando contra os Yankees: Rogers disse a seus colegas que estava irritado porque os jogadores do time de Nova York creditaram sua bela atuação ao fato de ele ter jogado a "partida de sua vida", como se só isso pudesse derrotá-los.
Então ele pegou o Oakland para cristo e teve outra grande atuação. "Acho que ele jogou duas 'partidas da vida' seguidas", sorriu Todd Jones, fechador dos Tigers.
Já os Tigers estão no meio de uma campanha mágica, que se pode comparar à dos Red Sox em 2004, quando ganharam oito jogos seguidos e levaram o título, e à dos White Sox no ano passado, quando tiveram campanha de 16-1 em seus últimos 17 jogos.
Tudo tem dado certo para o time. Neifi Perez, com seus incríveis (no mau sentido) 29,8% de OBP, rebatendo em segundo lugar? Sem problema. Um interbases diferente em cada um dos três primeiros jogos da SCLA? Grande coisa. Colocar em campo três rebatedores designados diferentes, incluindo Alexis Gomez, que tem um
home run em toda a sua carreira, e Omar Infante, que tem um OBP ainda pior que o de Perez na carreira? Tranqüilo.
E não posso deixar de lembrar que os A's estão facilitando demais o trabalho dos Tigers. No jogo 3, por exemplo, eles jogaram como se estivessem com pressa para voltar aos seus sofás de casa. Marco Scutaro (
foto: Jim McIsaac/Getty Images), por exemplo, mostrou toda a sua "disposição" ao ficar o jogo 3 inteiro com um gorro de lã por cima do boné. Ted Williams deve estar se revirando em seu compartimento de gelo.

Os A's foram à tábua por 30 vezes, e em apenas 5 delas eles conseguiram rebater a bola para fora do
infield, sendo eliminados em quatro delas (veja gráfico ao lado). Eles foram eliminados por Rogers no primeiro ou no segundo arremesso em 10 das 26 vezes que o encararam. Isso certamente não é motivo de orgulho para o pessoal de Oakland. Haja (falta de) paciência!
Frank Thomas e Nick Swisher, líderes dos A's em
home runs, não têm nenhuma rebatida válida em 17 tentativas contra os arremessadores do Detroit. Com corredores na base, a média do time é de míseros 15,9%.
Marcadores: A's, Kenny Rogers, Séries de Campeonato, Tigers
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7.10.06
O fator Rogers
Ontem consegui pegar uma boa parte do jogo 3 entre Tigers e Yankees. E não dá para falar desse jogo sem comentar a excelente atuação de Kenny Rogers o arremessador, não o cantor country. Depois da sua turbulenta temporada de 2005 pelo Texas, parecia que sua carreira estava no ocaso. Ser contratado pelos Tigers, aquele mesmo time que acumulou 119 derrotas três anos atrás, parecia mais um passo na direção da aposentadoria.
Mas não é que o sujeito deu a volta por cima e foi até considerado um exemplo para o jovem grupo de arremessadores de Detroit?
Aí chegou ontem e, apesar de seu horrível retrospecto em outubro (oito jogos, cinco deles como titular, 8,85 de ERA), limitou a cinco rebatidas válidas uma das equipes mais caras de todos os tempos. Dos oito Yankees que ele eliminou por
strike-out, dois foram em bolas de curva a apenas 119 km/h!
Segundo Brandon Inge, Rogers "antes do jogo estava dizendo que [os Yankees] tinham um aproveitamento de 50% contra ele, então ele teria de ser perfeito". Não foi. Mas chegou próximo o suficiente e deixou seu time com grandes condições para não só vencer a partida, como também para vencer a série.
Esse mau retrospecto de Rogers contra o time de Nova York também contribuiu de uma maneira inesperada para a vitória dos Tigers. Como Bernie Williams, de 38 anos, tinha um aproveitamento de 35,3% contra Rogers, o técnico dos Yankees, Joe Torre, decidiu achar um lugar no time titular para ele. O sacrificado, em teoria, foi Gary Sheffield, mas Jason Giambi jogou no sacrifício na primeira base, por causa de sua mão.
Na segunda entrada, Giambi se atrapalhou com o passe de Randy Johnson para pegar de surpresa Curtis Granderson, que estava adiantado na primeira base, e Granderson conseguiu roubar a segunda. Pouco depois, Granderson marcou numa rebatida simples de Plácido Polanco.
E não é que eu acertei o placar da série entre A's e Twins? Só que isso, na verdade, foi mais ruim do que bom, porque eu tinha previsto a varrida dos Twins. Quem varreu, depois dos 8-3 de ontem em casa, foi o Oakland. Que agora espera tranqüilamente pelo vencedor de Yankees x Tigers.
Marcadores: Kenny Rogers, Séries de Divisão, Tigers, Yankees
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